Uma organização tecnológica não precisa apenas de programadores, especialistas em inteligência artificial ou profissionais de infraestrutura. Que tipo de colaboradores uma organização tecnológica precisa? A resposta envolve uma combinação de conhecimento técnico, pensamento analítico, capacidade de adaptação, colaboração e compreensão do negócio.
A transformação digital está modificando não apenas as ferramentas utilizadas pelas empresas, mas também a natureza das atividades profissionais. Inteligência artificial, automação, APIs, dados e sistemas integrados exigem profissionais capazes de trabalhar em ambientes nos quais tecnologia e decisões humanas estão cada vez mais conectadas.
O desafio, portanto, não é simplesmente contratar pessoas que saibam utilizar novas tecnologias. É construir equipes capazes de compreender problemas, questionar processos, interpretar dados, trabalhar com tecnologia e tomar decisões responsáveis.
O que uma organização tecnológica precisa de seus colaboradores?
Uma empresa orientada à tecnologia precisa combinar competências diferentes.
O Future of Jobs Report 2025, do World Economic Forum, analisou perspectivas de mais de 1.000 empresas, representando mais de 14 milhões de trabalhadores em 55 economias. O relatório aponta que 39% das competências essenciais no mercado de trabalho devem mudar até 2030. (weforum.org)
Entre as competências com maior crescimento esperado estão:
- inteligência artificial e big data;
- redes e cibersegurança;
- alfabetização tecnológica;
- pensamento criativo;
- resiliência, flexibilidade e agilidade;
- curiosidade e aprendizagem contínua;
- liderança e influência social;
- pensamento analítico.
Isso revela uma característica importante do profissional da organização tecnológica: ele precisa combinar competências digitais com competências humanas.
1. Profissionais com pensamento analítico
Tecnologia produz uma quantidade cada vez maior de informações.
Mas dados, sozinhos, não resolvem problemas.
É necessário interpretar informações, identificar relações, questionar resultados e avaliar alternativas.
O World Economic Forum aponta o pensamento analítico como a principal competência essencial considerada pelas empresas pesquisadas em 2025: 69% dos empregadores o classificaram como uma competência central. (weforum.org)
Em uma organização tecnológica, essa competência pode ser aplicada para:
- identificar gargalos;
- analisar indicadores;
- interpretar dados;
- avaliar riscos;
- solucionar problemas;
- comparar alternativas;
- questionar resultados produzidos por sistemas ou IA.
O profissional tecnológico não deve apenas perguntar “como fazer?”, mas também “por que fazer?” e “qual problema estamos resolvendo?”.
2. Pessoas com alfabetização tecnológica
Nem todo colaborador precisa ser programador.
Porém, em uma organização digital, profissionais de diferentes áreas precisam compreender minimamente como a tecnologia funciona e quais são suas possibilidades e limitações.
O World Economic Forum coloca a alfabetização tecnológica entre as competências essenciais e também entre aquelas que devem ganhar importância nos próximos anos. (weforum.org)
Isso pode significar saber:
- utilizar ferramentas digitais;
- compreender conceitos básicos de dados;
- trabalhar com sistemas corporativos;
- entender processos automatizados;
- reconhecer riscos de segurança;
- utilizar IA de maneira responsável;
- compreender o papel das APIs e integrações.
Alfabetização tecnológica não significa transformar todos os colaboradores em especialistas de TI. Significa permitir que eles participem conscientemente de uma organização digital.
3. Especialistas em inteligência artificial e dados
A expansão da IA está criando novas necessidades profissionais.
Segundo o World Economic Forum, IA e big data estão entre as competências que mais devem crescer em importância até 2030. (weforum.org)
Esses profissionais podem atuar em áreas como:
- ciência de dados;
- engenharia de dados;
- machine learning;
- inteligência artificial generativa;
- análise de dados;
- automação inteligente;
- governança de dados;
- avaliação de modelos.
Mas existe uma ressalva importante.
A empresa não precisa apenas de pessoas capazes de construir modelos. Precisa também de profissionais capazes de entender os riscos, limitações e impactos desses sistemas.
O NIST AI Risk Management Framework recomenda que organizações definam claramente os papéis e responsabilidades humanas relacionados à supervisão e ao uso de sistemas de IA. (nist.gov)
4. Profissionais de cibersegurança
Quanto mais uma empresa depende de tecnologia, maior é a importância da segurança.
Sistemas integrados, APIs, aplicações em nuvem, dispositivos conectados e ferramentas de IA ampliam as possibilidades de acesso e também a superfície de exposição a riscos.
O World Economic Forum coloca redes e cibersegurança entre as competências com crescimento mais rápido esperado até 2030. (weforum.org)
Uma organização tecnológica precisa de profissionais capazes de atuar em áreas como:
- gestão de identidades;
- segurança de APIs;
- proteção de aplicações;
- monitoramento;
- resposta a incidentes;
- gestão de vulnerabilidades;
- proteção de dados;
- segurança em nuvem.
Mas segurança também precisa ultrapassar o departamento especializado.
Cada colaborador que acessa um sistema pode participar da cadeia de segurança da organização.
5. Profissionais que compreendem APIs e integração
Em organizações modernas, sistemas isolados podem representar uma limitação operacional.
ERP, CRM, plataformas financeiras, sistemas de RH, aplicativos, bancos de dados e ferramentas de IA precisam frequentemente trocar informações.
É nesse contexto que APIs assumem importância estratégica.
Uma organização tecnológica precisa de profissionais capazes de compreender:
- integração entre sistemas;
- autenticação;
- autorização;
- fluxo de dados;
- arquitetura de APIs;
- documentação;
- monitoramento;
- segurança;
- automação.
Essa competência não precisa estar restrita aos desenvolvedores.
Profissionais de negócios, produto, operações e gestão também podem se beneficiar de compreender como a integração tecnológica pode resolver problemas concretos da organização.
6. Pessoas capazes de aprender continuamente
Uma das características mais marcantes do setor tecnológico é a velocidade das mudanças.
Uma ferramenta aprendida hoje pode ser substituída ou transformada rapidamente.
Por isso, uma organização tecnológica precisa valorizar profissionais que saibam aprender.
O World Economic Forum destaca curiosidade e aprendizagem ao longo da vida entre as competências que devem ganhar importância até 2030. (weforum.org)
Esse profissional não precisa conhecer todas as tecnologias.
Precisa ter capacidade para:
- pesquisar;
- testar;
- aprender;
- desaprender;
- adaptar-se;
- compartilhar conhecimento;
- atualizar suas competências.
Em um ambiente tecnológico, aprender pode ser tão importante quanto aquilo que o profissional já sabe.
7. Profissionais com criatividade para solucionar problemas
Tecnologia não serve apenas para executar processos existentes.
Ela também pode permitir que a empresa desenvolva novas formas de trabalhar.
Para isso, criatividade é importante.
O World Economic Forum coloca pensamento criativo entre as principais competências essenciais e entre aquelas cuja importância tende a crescer. (weforum.org)
Profissionais criativos podem ajudar a empresa a questionar:
“Existe uma maneira melhor de fazer isso?”
Essa pergunta pode levar à criação de:
- novos produtos;
- novos serviços;
- automações;
- integrações;
- experiências digitais;
- modelos de atendimento;
- soluções baseadas em dados.
8. Pessoas que saibam trabalhar com IA, sem depender cegamente dela
A inteligência artificial pode apoiar profissionais em diversas atividades.
Mas uma organização tecnológica precisa evitar que seus colaboradores tratem a resposta de uma IA como automaticamente correta.
O NIST destaca que os papéis humanos na tomada de decisões e na supervisão de sistemas de IA precisam ser claramente definidos. O órgão também chama atenção para a possibilidade de perda de contexto quando fenômenos humanos complexos são representados por modelos matemáticos. (nist.gov)
Isso significa que profissionais preparados para trabalhar com IA devem saber:
- formular boas perguntas;
- verificar informações;
- reconhecer limitações;
- validar resultados;
- proteger informações confidenciais;
- identificar situações que exigem intervenção humana.
A competência não está apenas em saber usar IA, mas em saber quando confiar, quando verificar e quando não utilizar.
9. Líderes capazes de conduzir pessoas e tecnologia
Uma organização tecnológica também precisa de liderança.
Automatizar processos, implantar IA ou integrar sistemas altera rotinas, responsabilidades e competências.
A mudança pode gerar dúvidas e resistência.
Por isso, líderes precisam compreender tanto os objetivos tecnológicos quanto os impactos sobre as pessoas.
O World Economic Forum identifica liderança e influência social entre as principais competências essenciais e entre aquelas cuja relevância aumentou na comparação com a edição anterior do relatório. (weforum.org)
Um líder tecnológico precisa ser capaz de:
- comunicar objetivos;
- explicar mudanças;
- ouvir equipes;
- desenvolver talentos;
- estabelecer prioridades;
- lidar com incertezas;
- estimular colaboração;
- conectar tecnologia e estratégia.
10. Profissionais que compreendam o negócio
Talvez essa seja uma das competências mais importantes.
Uma organização tecnológica não existe para produzir tecnologia por si só.
Ela existe para resolver problemas e gerar valor.
Por isso, profissionais de tecnologia precisam compreender minimamente:
- clientes;
- produtos;
- processos;
- custos;
- riscos;
- operações;
- indicadores;
- estratégia.
Da mesma forma, profissionais de negócio precisam desenvolver maior compreensão sobre tecnologia.
Essa aproximação entre áreas reduz um problema comum: a tecnologia desenvolver soluções que são tecnicamente interessantes, mas pouco relevantes para a operação.
O profissional do futuro será multidisciplinar?
Não necessariamente todos os profissionais precisarão dominar todas as competências.
O mais provável é o fortalecimento de equipes multidisciplinares.
Um projeto de transformação digital pode reunir:
Negócios + tecnologia + dados + segurança + processos + pessoas.
Cada profissional contribui com uma especialidade.
A vantagem está justamente na combinação desses conhecimentos.
O próprio Future of Jobs Report 2025 aponta que a combinação de competências tecnológicas e humanas será cada vez mais importante em diferentes funções. (weforum.org)
Tecnologia não elimina a necessidade de competências humanas
A discussão sobre IA muitas vezes leva à ideia de que competências humanas perderão espaço.
Os dados disponíveis indicam um cenário mais complexo.
A OIT informou, em sua atualização de 2025 sobre IA generativa e empregos, que um em cada quatro trabalhadores no mundo está em uma ocupação com algum grau de exposição à IA generativa. A organização ressalta, entretanto, que a necessidade de participação humana faz com que a transformação dos empregos seja, em geral, mais provável do que sua eliminação completa. (ilo.org)
Isso ajuda a explicar por que competências como:
- pensamento analítico;
- criatividade;
- colaboração;
- liderança;
- flexibilidade;
- comunicação;
- aprendizagem contínua
continuam relevantes.
A tecnologia muda o trabalho, mas não elimina a necessidade de julgamento humano em grande parte dos contextos profissionais.
Como uma empresa pode desenvolver esse perfil de colaborador?
Contratar profissionais com determinadas competências é apenas uma parte da estratégia.
A empresa também precisa criar condições para desenvolver essas capacidades.
1. Mapear as competências atuais
Identifique quais competências já existem na organização.
2. Identificar as competências futuras
Avalie quais tecnologias e mudanças de negócio poderão alterar as necessidades da empresa.
3. Investir em capacitação
Treinamentos podem envolver:
- inteligência artificial;
- dados;
- segurança;
- APIs;
- automação;
- ferramentas digitais;
- liderança;
- pensamento analítico.
4. Criar projetos multidisciplinares
Colocar profissionais de tecnologia e negócio para trabalhar juntos pode aumentar a compreensão dos problemas e das soluções.
5. Estimular experimentação controlada
A inovação precisa de espaço para testes, mas dentro de critérios de segurança e governança.
6. Valorizar aprendizagem contínua
O desenvolvimento profissional não deve acontecer apenas quando uma nova ferramenta é implantada.
Aprender precisa fazer parte da cultura organizacional.
Afinal, que tipo de colaboradores uma organização tecnológica precisa?
Uma organização tecnológica precisa de profissionais que combinem, em diferentes proporções, conhecimento técnico, pensamento crítico, capacidade de aprendizagem e compreensão do negócio.
Não existe um único perfil ideal.
Uma equipe madura pode reunir:
- desenvolvedores;
- especialistas em dados;
- profissionais de IA;
- especialistas em segurança;
- arquitetos de sistemas;
- profissionais de integração e APIs;
- analistas de negócios;
- gestores de projetos;
- especialistas em processos;
- profissionais de produto;
- líderes;
- especialistas em experiência do cliente.
O diferencial está na capacidade dessas pessoas de trabalhar de forma integrada.
Conclusão: a organização tecnológica precisa de pessoas, não apenas de tecnologia
A pergunta “que tipo de colaboradores uma organização tecnológica precisa?” não pode ser respondida apenas com uma lista de cargos.
O que muda é a combinação de competências necessária para trabalhar em um ambiente no qual tecnologia, dados, automação e inteligência artificial estão cada vez mais presentes.
Os dados do World Economic Forum mostram o crescimento da importância de IA, big data, cibersegurança e alfabetização tecnológica, mas também destacam pensamento analítico, criatividade, resiliência, liderança e aprendizagem contínua. (weforum.org)
A OIT, por sua vez, aponta que a exposição à IA generativa não significa automaticamente substituição do trabalho humano. Em muitos casos, a tendência identificada é de transformação das atividades. (ilo.org)
Por isso, a organização tecnológica do presente precisa de profissionais capazes de trabalhar com a tecnologia sem perder a capacidade de pensar, questionar, colaborar e compreender o contexto do negócio.
Para empresas que estão avançando em automação, APIs, integração de sistemas e inteligência artificial, desenvolver pessoas com essas competências é tão importante quanto escolher as tecnologias certas.
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