A importância de proteger suas APIs nas empresas

A importância de proteger suas APIs nas empresas

As APIs se tornaram uma das principais engrenagens da transformação digital. Elas conectam sistemas, aplicações, parceiros, clientes, bancos de dados e serviços em nuvem. Por isso, entender a importância de...

A importância de proteger suas APIs nas empresas

As APIs se tornaram uma das principais engrenagens da transformação digital. Elas conectam sistemas, aplicações, parceiros, clientes, bancos de dados e serviços em nuvem. Por isso, entender a importância de proteger suas APIs deixou de ser uma preocupação exclusiva da área de tecnologia e passou a fazer parte da estratégia de segurança e continuidade dos negócios.

O problema é que cada nova integração pode ampliar a superfície de exposição da organização. Uma API mal configurada, uma autorização inadequada ou uma credencial comprometida pode permitir acesso indevido a informações e funcionalidades importantes.

Segundo o NIST (National Institute of Standards and Technology), sistemas corporativos modernos dependem de APIs para integração e processos de negócio, e a proliferação dessas interfaces, combinada ao acesso a dados corporativos valiosos, faz delas um alvo relevante para exploração. A publicação recomenda que APIs sejam protegidas ao longo de todo o ciclo de vida e operem sob princípios de Zero Trust.

Proteger APIs, portanto, não significa apenas impedir invasões. Significa proteger os processos de negócio que dependem delas.

Por que proteger APIs é tão importante?

Uma API funciona como uma ponte entre sistemas.

Quando uma aplicação precisa consultar um cadastro, validar uma identidade, processar uma transação ou enviar informações para outro sistema, é comum que essa comunicação aconteça por meio de uma API.

Isso significa que uma API pode ter acesso a:

  • dados pessoais;
  • informações financeiras;
  • documentos;
  • cadastros de clientes;
  • informações de funcionários;
  • dados de fornecedores;
  • sistemas internos;
  • funcionalidades críticas;
  • serviços de terceiros.

A OWASP destaca que APIs são utilizadas em aplicações voltadas a clientes, parceiros e ambientes internos e, por sua própria natureza, podem expor lógica de aplicação e informações sensíveis, tornando-se um alvo importante para atacantes.

Uma API insegura pode transformar uma integração necessária em uma porta de entrada para ataques.

APIs são parte da superfície de ataque

Durante muito tempo, a preocupação com segurança esteve concentrada em servidores, computadores, redes e aplicações.

Hoje, a arquitetura é muito mais distribuída.

Uma empresa pode ter dezenas, centenas ou milhares de endpoints conectando diferentes sistemas.

Cada endpoint pode representar:

  • uma porta de entrada;
  • uma função;
  • uma fonte de dados;
  • uma operação comercial;
  • uma conexão com terceiro.

O problema cresce quando a organização não sabe exatamente quais APIs estão ativas.

A OWASP classifica Improper Inventory Management, ou gerenciamento inadequado do inventário de APIs, como um dos dez principais riscos de segurança de APIs. A entidade alerta para problemas relacionados a versões antigas, endpoints esquecidos e interfaces de depuração expostas.

Não é possível proteger adequadamente aquilo que a empresa não sabe que existe.

Quais são os principais riscos de segurança das APIs?

A OWASP API Security Top 10 2023 apresenta dez categorias de riscos que devem fazer parte da avaliação de segurança das organizações.

Entre eles estão:

1. Falhas de autorização em nível de objeto

Ocorrem quando uma aplicação permite que um usuário acesse ou altere objetos que não deveria acessar.

Imagine um sistema que consulta:

/clientes/12345

Se a aplicação não verificar adequadamente a autorização, um usuário poderia tentar acessar:

/clientes/12346

e obter informações de outra pessoa.

A OWASP classifica esse risco como Broken Object Level Authorization (BOLA) e o coloca como API1:2023.

2. Autenticação inadequada

Uma API precisa saber quem está fazendo uma solicitação.

Falhas na autenticação podem permitir que atacantes comprometam tokens ou explorem vulnerabilidades para assumir a identidade de outro usuário ou sistema.

3. Exposição ou alteração indevida de propriedades

Mesmo quando o usuário tem acesso a determinado objeto, ele não necessariamente deve ter acesso a todos os seus atributos.

Uma API pode, por exemplo, permitir que uma aplicação consulte dados básicos de um cliente, mas não deveria necessariamente retornar informações internas, credenciais ou dados sensíveis.

4. Consumo ilimitado de recursos

Uma API pode consumir:

  • CPU;
  • memória;
  • banda;
  • armazenamento;
  • serviços externos;
  • SMS;
  • e-mails;
  • validações pagas.

Quando não existem controles adequados, solicitações excessivas podem gerar indisponibilidade ou custos operacionais elevados.

5. Falhas de autorização em nível de função

Um usuário comum não deveria conseguir executar funções administrativas apenas porque descobriu um endpoint.

A separação entre funções e privilégios precisa estar implementada no próprio controle de acesso.

6. Acesso irrestrito a fluxos de negócio sensíveis

Algumas APIs não possuem uma vulnerabilidade técnica tradicional, mas permitem automatizar processos de maneira prejudicial ao negócio.

A OWASP incluiu esse risco na edição 2023 para destacar situações como criação automatizada de contas e exploração de fluxos comerciais sensíveis.

7. Server-Side Request Forgery

Uma API que busca recursos externos sem validar adequadamente as solicitações pode ser explorada para fazer requisições a destinos que não deveriam ser acessíveis.

8. Configuração insegura

Configurações inadequadas podem abrir caminhos para exploração.

Quanto mais complexa a arquitetura, maior a importância de revisar configurações de segurança.

9. Inventário inadequado

APIs antigas, versões depreciadas e endpoints esquecidos podem continuar expostos mesmo depois de deixarem de ser necessários.

10. Consumo inseguro de APIs de terceiros

Uma integração externa também representa risco.

A OWASP alerta que desenvolvedores podem confiar excessivamente nos dados recebidos de APIs de terceiros e aplicar controles de segurança mais fracos.

A segurança da sua API também depende da segurança das APIs com as quais ela se comunica.

O que acontece quando uma API é comprometida?

As consequências dependem da função da API e dos dados aos quais ela dá acesso.

Um incidente pode resultar em:

  • exposição de dados;
  • alteração de informações;
  • fraude;
  • criação de contas falsas;
  • movimentações indevidas;
  • indisponibilidade;
  • aumento de custos;
  • comprometimento de outros sistemas;
  • danos à reputação;
  • problemas regulatórios.

Por isso, o impacto de uma falha de API não deve ser medido apenas pela quantidade de endpoints afetados.

É necessário avaliar qual processo de negócio estava conectado àquela API.

Uma falha em uma API responsável por consultar informações públicas não possui necessariamente o mesmo impacto de uma falha em uma API responsável por pagamentos, autenticação ou dados pessoais.

APIs e proteção de dados pessoais

A segurança das APIs também possui relação direta com proteção de dados.

O artigo 46 da Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD) determina que agentes de tratamento adotem medidas técnicas e administrativas capazes de proteger dados pessoais contra acessos não autorizados e situações acidentais ou ilícitas.

Quando uma API transporta ou disponibiliza dados pessoais, ela passa a fazer parte da arquitetura de proteção dessas informações.

Isso envolve avaliar:

  • quem pode acessar;
  • quais dados podem ser retornados;
  • em quais circunstâncias;
  • por quanto tempo;
  • para qual finalidade;
  • como a comunicação é protegida;
  • como as operações são registradas.

Segurança de APIs e governança de dados precisam caminhar juntas.

Como proteger uma API corporativa?

Não existe um único mecanismo capaz de resolver todos os riscos.

A proteção deve ser construída em camadas.

Autenticação

A empresa precisa estabelecer mecanismos confiáveis para verificar a identidade de usuários, aplicações e serviços.

Autorização

Depois de autenticar, é necessário determinar o que aquele usuário ou aplicação pode fazer.

Esse ponto é fundamental.

Autenticação responde:

“Quem é você?”

Autorização responde:

“O que você pode fazer?”

Criptografia

Informações transmitidas entre sistemas devem ser protegidas contra interceptação e manipulação.

Controle de tráfego

Rate limiting e outros mecanismos podem ajudar a controlar solicitações excessivas.

Validação de entrada

Dados recebidos pela API devem ser tratados como potencialmente não confiáveis.

Logs e auditoria

A organização precisa registrar eventos relevantes para investigação e acompanhamento.

Monitoramento

A detecção de comportamento anormal pode ajudar a identificar ataques ou abusos.

Gestão do ciclo de vida

APIs antigas precisam ser desativadas de maneira controlada.

O NIST SP 800-228 recomenda considerar riscos e controles tanto nas fases anteriores à execução quanto durante o funcionamento das APIs, dentro de uma abordagem baseada em risco.

Zero Trust também se aplica às APIs

Um erro comum é considerar que uma API interna é automaticamente segura porque está dentro da rede corporativa.

Essa premissa está ficando cada vez mais inadequada.

O NIST recomenda que APIs sejam operadas sob princípios de Zero Trust, independentemente de estarem expostas externamente ou serem consumidas por outras aplicações dentro da infraestrutura corporativa.

Na prática, isso significa não confiar automaticamente em uma solicitação apenas porque ela veio de dentro do ambiente corporativo.

Cada acesso deve ser avaliado de acordo com:

  • identidade;
  • contexto;
  • autorização;
  • recurso;
  • finalidade;
  • risco.

“Está dentro da rede” não deve significar “tem acesso a tudo”.

API Gateway: uma camada importante de controle

Um API Gateway pode funcionar como uma camada centralizada entre consumidores e serviços.

Dependendo da arquitetura, ele pode ajudar a implementar:

  • autenticação;
  • autorização;
  • controle de tráfego;
  • roteamento;
  • políticas;
  • observabilidade;
  • registro de chamadas;
  • proteção contra determinados padrões de abuso.

Isso não significa que o Gateway sozinho torne uma API segura.

Segurança precisa existir também na aplicação e no desenho do serviço.

Mas centralizar determinados controles pode facilitar a governança.

Por que o inventário de APIs é tão importante?

Imagine uma empresa com:

  • APIs de produção;
  • APIs de homologação;
  • APIs antigas;
  • versões diferentes;
  • APIs utilizadas por parceiros;
  • APIs internas;
  • APIs expostas à internet.

Sem inventário, pode ser difícil responder:

Quais APIs existem?

Quem as utiliza?

Quais dados elas acessam?

Quais versões estão ativas?

Quem é responsável por cada uma?

A gestão do inventário deve fazer parte da governança de APIs.

A OWASP destaca que o crescimento do número de endpoints torna especialmente importante manter inventário atualizado de hosts, versões e interfaces implantadas.

Como proteger APIs de terceiros?

Uma empresa não deve considerar automaticamente confiável qualquer informação recebida de uma API externa.

Antes de integrar um serviço, é importante avaliar:

  • fornecedor;
  • origem dos dados;
  • autenticação;
  • autorização;
  • documentação;
  • disponibilidade;
  • segurança;
  • limites de consumo;
  • tratamento de erros;
  • monitoramento;
  • requisitos contratuais.

A OWASP classifica o Unsafe Consumption of APIs como um dos dez principais riscos justamente porque integrações externas também podem ser exploradas como caminho para comprometer uma organização.

APIs e credenciais: um ponto crítico

Uma API normalmente precisa provar sua identidade para outro sistema.

Isso pode envolver tokens, chaves, certificados ou outros mecanismos de autenticação.

Um dos erros mais perigosos é tratar essas credenciais como simples informações de configuração.

Credenciais expostas podem permitir:

  • acesso não autorizado;
  • impersonação;
  • utilização indevida de serviços;
  • alteração de dados;
  • consumo fraudulento;
  • movimentação lateral.

Por isso, credenciais devem ser armazenadas e administradas de forma segura, com privilégios mínimos e mecanismos de rotação quando aplicáveis.

Uma credencial que nunca expira e possui privilégios excessivos representa um risco desnecessário.

Segurança de APIs durante o desenvolvimento

A segurança não deve começar depois que a API está em produção.

Ela precisa fazer parte do ciclo de desenvolvimento.

Uma abordagem de DevSecOps pode incluir:

  • análise de código;
  • testes automatizados;
  • testes de segurança;
  • validação de autenticação;
  • testes de autorização;
  • análise de dependências;
  • revisão de configurações;
  • testes de carga;
  • validação de schemas;
  • monitoramento.

O NIST estrutura a proteção de APIs ao longo de diferentes fases do ciclo de vida, incluindo desenvolvimento, construção, implantação e operação.

Quanto mais cedo um problema for identificado, menor tende a ser o custo de corrigi-lo.

Como saber se suas APIs estão protegidas?

Uma avaliação inicial pode começar com algumas perguntas simples:

  • A empresa possui inventário atualizado das APIs?
  • Existem APIs antigas ainda disponíveis?
  • Todas as APIs possuem autenticação adequada?
  • A autorização é validada em cada operação sensível?
  • Existe segregação entre usuários comuns e administradores?
  • Os dados retornados são realmente necessários?
  • Existem limites de consumo?
  • As APIs são monitoradas?
  • Os logs são preservados?
  • Existem alertas para comportamentos anormais?
  • As credenciais são protegidas?
  • Há rotação de credenciais quando necessário?
  • As APIs de terceiros passam por avaliação?
  • Existem mecanismos para desativar rapidamente uma API comprometida?
  • Os dados pessoais trafegados pelas APIs estão adequadamente protegidos?

Se várias respostas forem negativas, existe espaço para fortalecer a arquitetura.

Checklist de segurança para APIs corporativas

Uma estratégia de proteção pode ser organizada em sete pilares:

1. Inventário

Conhecer todas as APIs existentes.

2. Identidade

Saber quem ou qual sistema está realizando cada solicitação.

3. Autorização

Determinar exatamente quais recursos podem ser acessados.

4. Proteção de dados

Limitar e proteger as informações transmitidas.

5. Observabilidade

Registrar e monitorar comportamentos relevantes.

6. Resiliência

Controlar abuso, indisponibilidade e consumo excessivo.

7. Governança

Definir responsabilidades, políticas e ciclo de vida.

Essa abordagem transforma a segurança de APIs em um processo contínuo, e não em uma ação pontual.

Por que proteger APIs é também proteger o negócio?

A pergunta mais importante talvez seja essa.

Se uma API conecta:

cliente → sistema → pagamento

uma falha pode afetar diretamente uma operação financeira.

Se conecta:

funcionário → sistema → dados pessoais

uma falha pode afetar privacidade e compliance.

Se conecta:

empresa → parceiro → operação

uma vulnerabilidade pode atingir toda a cadeia de integração.

Por isso, a segurança de APIs deve ser analisada sob uma perspectiva empresarial.

Não estamos protegendo apenas endpoints. Estamos protegendo processos.

A importância de integrar segurança e inteligência de dados

Em ambientes corporativos complexos, proteger APIs também significa entender o comportamento das integrações.

Dados de logs, autenticação, chamadas, erros e transações podem ser correlacionados para identificar padrões.

Por exemplo:

usuário + API + horário + volume + recurso acessado + localização + comportamento histórico

pode oferecer uma visão muito mais rica do que analisar cada chamada individualmente.

Esse tipo de inteligência pode contribuir para:

  • identificar anomalias;
  • detectar abuso;
  • priorizar alertas;
  • investigar incidentes;
  • melhorar controles;
  • reduzir respostas manuais.

Segurança deixa de ser apenas bloqueio e passa a ser também inteligência sobre comportamento.

Como a Cortex pode ajudar na proteção das APIs?

Para empresas que possuem diferentes sistemas, aplicações e parceiros, o desafio não está apenas em criar APIs.

Está em integrar APIs com segurança, governança e inteligência operacional.

A Cortex atua justamente nesse território de integração de sistemas e desenvolvimento de serviços por APIs.

Uma arquitetura corporativa pode conectar:

  • sistemas internos;
  • bases cadastrais;
  • aplicações;
  • parceiros;
  • serviços externos;
  • mecanismos de identidade;
  • plataformas de segurança;
  • sistemas de auditoria;
  • soluções de inteligência de dados.

Essa integração pode permitir que processos anteriormente manuais sejam automatizados, mantendo regras de autenticação, autorização e rastreabilidade.

O objetivo é transformar APIs em uma infraestrutura de integração segura, e não simplesmente em canais de comunicação entre sistemas.

O futuro da segurança de APIs

A tendência é que as empresas dependam cada vez mais de APIs para conectar aplicações, serviços em nuvem, inteligência artificial, parceiros e sistemas internos.

O Gartner observa que APIs representam uma parcela significativa do tráfego dinâmico da internet e que ataques contra APIs são uma preocupação relevante para líderes de segurança.

O NIST, por sua vez, reforça que a proliferação de APIs e o acesso que elas proporcionam a dados corporativos valiosos aumentam a necessidade de controles de segurança ao longo de todo o ciclo de vida.

Isso indica uma mudança importante:

API Security está deixando de ser uma preocupação exclusivamente técnica e se tornando uma questão de governança corporativa.

Conclusão: proteger APIs é proteger a operação

A importância de proteger suas APIs está diretamente relacionada à importância dos processos que elas conectam.

Uma API pode dar acesso a dados, sistemas, clientes, parceiros e operações críticas.

Por isso, uma estratégia adequada precisa combinar:

  • autenticação;
  • autorização;
  • criptografia;
  • inventário;
  • monitoramento;
  • gestão de credenciais;
  • controle de tráfego;
  • segurança no desenvolvimento;
  • avaliação de terceiros;
  • governança;
  • inteligência de dados.

A OWASP fornece uma referência importante para compreender os principais riscos específicos das APIs, enquanto o NIST SP 800-228 apresenta orientações para proteção de APIs em ambientes cloud-native ao longo do ciclo de vida.

No Brasil, quando APIs processam dados pessoais, a LGPD também estabelece a necessidade de medidas técnicas e administrativas para proteção dessas informações.

Portanto, a pergunta não deveria ser:

“Minha empresa possui APIs?”

A pergunta deveria ser:

“Minha empresa sabe exatamente quem acessa suas APIs, quais dados são movimentados e quais riscos essas integrações representam?”

Se a resposta ainda não for clara, talvez seja hora de revisar a arquitetura.

A Cortex pode ajudar sua empresa a transformar integrações complexas em fluxos corporativos mais seguros, inteligentes e rastreáveis. Conheça as soluções da Cortex e avalie como proteger suas APIs e os processos de negócio que dependem delas.

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